Terça-feira, 30 de Junho de 2009

BRICS: uma visão realista

O britânico Jim O'Neil invento a palavra BRICS para representar os países emergentes, mas a media de crescimento anual do PIB apenas é destaque para a Índia e a China. A Rússia tinha um crescimento do PIB considerável, mas a recessão terminou por complicar o seu crescimento e o Brasil embora tenha experimentado algum crescimento nos últimos anos luta para sair da recessão, embora se encontre em uma posição menos complicada do que a Rússia.

Brasil, Rússia, China, Índia, nenhum destes países é considerado verdadeiramente desenvolvido, são apenas países que obtiveram alguma riqueza. A renda per capita destes países fica abaixo da renda per capita de outros países, além disso, podemos dizer que Brasil, Rússia e Índia possuem uma democracia mais ou menos semelhante; a China nem sequer tem um sistema representativo, concluímos que a melhor democracia seria então a do Brasil, embora este seja considerado um país muito desigual. A Rússia vem de experiências comunistas fracassadas e agora é interprete de um capitalismo selvagem. A Índia é uma sociedade subtropical que possui uma cultura milenar baseada em castas que não lhe permitem desenvolver-se. A China um país com rápido crescimento industrial embora sua cultura seja essencialmente rural.

O Brics representa apenas 15% da economia Mundial, então porque do sucesso na mídia mundial destes países?

Podemos dizer que além das grandes extensões de terra no mapa, existem alguns interesses que os unem e o grupo é visto como algo excepcional.

O primeiro interesse pode ser geopolítico, portanto reivindicam um papel estratégico neste campo. O segundo interesse pode ser mostrar ao mundo que são sociedades parecidas com a sociedade norte-americana, embora a condenem freqüentemente, tentam imitar as suas músicas, as suas revistas o seu cinema, os seus carros, os seus shoppings, as suas cidades, o seu consumo e o seu modo de viver de um modo geral.

Se aos Estados Unidos e à Inglaterra os uniam os interesses imperiais, econômicos e uma cultura parecida, que podemos dizer dos BRICS?

Isso poderá por em risco a união dos BRICS, basta que exista alguma ameaça aos interesses dos Estados Unidos ou basta que a China entre em colapso, porque dificilmente se manterá o crescimento do PIB em 12% ao ano numa sociedade extremamente rural que caminha para a industrialização sem uma mudança brusca na educação e na cultura. A primeira reivindicação do povo chinês será a democratização do sistema político que convulsionará numa crise político-econômica e será difícil evitá-la porque o mundo nessas alturas estará sem capacidade de absorver o lixo de exportação chinês.

Não podemos esquecer que há uma grande diferença entre países ricos e países desenvolvidos.

Sábado, 30 de Maio de 2009

Mahmoud Ahmadinejad Não é suicida!

“As armas nucleares nunca estiveram no passado nas mãos de regimes fanáticos”. Esta é a grande preocupação de Benjamin Netanyahu que no momento poderia ser considerada uma preocupação exagerada porque o Irã não tem armas atômicas, o Irã não pode construir uma bomba atômica porque não tem plutônio ou urânio altamente enriquecido, atualmente o Irã produz urânio enriquecido com baixos teores que não lhe permitem construir uma bomba atômica.

Na história já houve regimes fanáticos que tiveram em mãos a bomba atômica, é o caso de Joseph Stalin que foi considerado um grande assassino, exterminador de massas, maior que Adolf Hitler. Mao Tse-Tung também tinha a bomba atômica e nunca a usou.

É verdade que o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad tem sido infeliz ao fazer declarações levianas ao respeito do holocausto e Israel, mas não é menos verdade que historicamente Irã não tem antecedentes de exterminador de massas e a sua política externa não tem sido lá essas coisas, embora se saiba que apóia grupos radicais como o Jihad.

Dizer que a política nuclear do Irã é um desafio para o mundo, maior que a crise financeira mundial é no mínimo um ato leviano porque esta crise já prejudicou milhões de pessoas no mundo todo e ainda modificará a qualidade de vida destas pessoas.

Israel há muito tempo possui armas nucleares, se o Irã um dia vem a possuir armas nucleares, certamente não será tão ingênuo em querer a sua autodestruição.

Este impasse com o Irã não pode ser resolvido militarmente uma vez que várias estratégias poderão ser usadas para dissuadir o Irã da sua corrida nuclear sob pena de provocar a terceira guerra mundial.

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Existe uma economia global?

Karl Marx no manifesto comunista de 1848 afirma que “a necessidade de mercados sempre crescente para seus produtos impele a burguesia a conquistar todo o globo terrestre”.

O globo terrestre foi conquistado (pela burguesia), mas na atualidade o que percebemos a nível global é uma interdependência das economias do globo, uma integração das economias nacionais. Na realidade cada país cria as suas normas e as suas políticas econômicas como melhor lhes convenha tentando adaptar-se às condições e exigências do mercado globalizado. Temos como resultado uma coleção de economias nacionais.

As políticas econômicas de cada país, tais como as políticas fiscais e monetárias são de fato incompatíveis com a economia global. De fato a globalização da economia regida por regras e políticas desapropriadas tem contribuído para a crise econômica mundial.

Há uma internacionalização da atividade econômica, mas não existe uma economia global integrada. Existe uma economia global concentrada e ao mesmo tempo fragmentada. Nessas condições podemos dizer que existe uma economia global?

Podemos dizer que o que existe é um capitalismo global, por ser o capitalismo o único sistema em funcionamento, mas não descartamos a hipótese que existem tendências que tentam configurar uma economia global.

Há quem diga que nunca haverá uma economia global no sentido estrito da palavra, mas existem aqueles que esperam que a nova ordem econômica mundial que se desenhou com a última crise econômica mundial, juntamente com as novas tecnologias e os novos modelos de gestão, entre outras coisas, forneça elementos para configurar uma economia verdadeiramente global.

Domingo, 24 de Maio de 2009

A primeira crise da globalização e o dragão

O mundo está habituado a ouvir falar em crise do capitalismo, mas talvez poucas pessoas tenham parado para pensar que esta crise pela qual passamos além de ser considerada mais uma crise cíclica do capitalismo deve ser reconhecida como a primeira crise da globalização.

As taxas de desemprego aumentaram em todos os recantos do planeta, empresas fecharam, bancos quebraram, as bolsas tiveram fortes quedas, os preços das matérias primas e do petróleo tiveram uma queda brutal, o crédito a nível global ficou escasso, as finanças internacionais ficaram comprometidas, a crise econômica global finalmente chegou à economia real, o grau de globalização da economia nos leva a pensar que esta é a primeira crise da globalização.

As crises econômicas estão sempre vinculadas a algum fator externo. A crise dos anos 30 foi vinculada ao surgimento do fascismo, a crise dos anos 70 se deu baixo as políticas keynesianas, devido a essa crise surge a política neoliberal. A crise atual é o resultado das políticas neoliberais, o neo-keynesianismo procura uma brecha e tenta se estabelecer, mas nem Hayek nem Keynes têm a solução, as teorias de Marx são valorizadas, mas a teoria econômica de forma geral está à deriva, e no meio deste caos surge o dragão.

Do caos emerge uma nova ordem mundial, o eixo sobre o qual essa ordem gravita chama-se China. O PIB mundial será de apenas 1,3%, exceto o da índia, o PIB da china será este ano de aproximadamente 7%. Na medida em que aumenta o PIB da China o PIB de quase todos os principais países se contrai. Os dois bilhões de dólares em reservas de divisas estrangeiras capacitam China para colocar-se como interventor na área financeira mundial.

Momento oportuno para os empresários chineses invadirem o globo com o propósito de fazer compras em todos os recantos do mundo, notadamente na África, América Latina, Rússia, Cazaquistão etc. para garantir futuros abastecimentos de energia para sua ambiciosa economia.

O segredo da China tem sido o seu sistema bancário, controlado pelo estado, além dos instrumentos fiscais e monetários bem aplicados, assim como também a inclusão da China na Organização Mundial de Comércio que permitiu um aumento nas suas exportações e, por conseguinte, à sua expansão econômica, sem falar nos pesados investimentos em infra-estrutura e projetos sociais de saúde e rurais.

Há fortes evidencias de que os Estados Unidos terão dificuldade em recuperar o seu status econômico depois que a crise tenha passado. Isto será difícil, mas não impossível. O mundo depois da crise certamente irá organizar-se em grandes blocos econômicos, entre eles estarão: o bloco da Ásia, da América do Norte, da America Latina, entre outros poucos.

O dragão e o elefante darão as cartas nesse novo jogo a nível mundial.

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

(Again)istan: A guerra errada

O presidente Barack Obama argumenta que a missão americana no Afeganistão é para assegurar que a Al Qaeda não atacará os Estados Unidos nem os seus aliados.

Mas a verdade é que a AL Qaeda não necessita uma base geográfica para desenvolver as suas operações terroristas, tanto é que toda a operação dos atentados do 11/09 foi em Hamburgo, na Alemanha. Como se fosse pouco a Al Qaeda teve uma presença significante nos Estados Unidos até 2002. Acredita-se que a Al Qaeda ainda promove, desde o exterior, operações para dentro dos Estados Unidos.

Na atualidade o Al Qaeda é composto de poucas centenas de pessoas correndo para não serem capturadas refugiando-se no Paquistão. Há quem diga que atualmente Al Qaeda é formado por um punhado de pessoas capazes de planejar, organizar e liderar atentados terroristas.

O presidente Obama insiste que a missão americana no Afeganistão é humanitária, a sua preocupação é o retorno do Taliban que levaria o Afeganistão a uma brutal administração negando aos seus cidadãos os direitos humanos, além de estancar a economia.

Tratando-se de política internacional sabemos que os interesses da missão americana no Afeganistão são outros. Na verdade a guerra no Afeganistão não começou em 2001 com a invasão americana, a guerra começou em 1979, quando a União Soviética invadiu o Afeganistão.

Cinco milhões de afegãos foram obrigados a deixar o seu país e ficaram na condição de refugiados. A vida é miserável no Afeganistão, apenas 6% da população tem energia elétrica, as temperaturas são muito baixas e muitos morrem por causa do frio.

A água potável é rara e o saneamento básico praticamente não existe, a nação vive à sombra da guerra, crimes e brutalidades dos fundamentalistas, as mulheres são as vítimas que mais sofrem. Duas gerações de afegãos cresceram tendo a guerra como o único espetáculo.

Em sete anos de ocupação americana no Afeganistão o governo de Hamid Karzai tem limitado a sua atuação a Kabul e áreas adjacentes, enquanto o país como um todo se preocupa em cultivar e comercializar o ópio e nisso o Afeganistão ocupa um dos primeiros lugares no mundo.

O conflito no Afeganistão não apenas envolve os americanos, a OTAN e o Paquistão, agora a Índia, Rússia e Irã também entraram no jogo. Trata-se de interesses geopolíticos.

O presidente Obama está correto ao estender a mão aos países muçulmanos e em querer negociar diplomaticamente com países como o Irã, mas está errado ao trilhar o caminho da guerra no Afeganistão.

Exorcizando o espírito de Karl Marx

É interessante o artigo escrito por Art Carden, professor de economia e negócios do colégio Rhodes de Memphis, Tennesee.

Ele reconhece a importância de Karl Marx como um dos grandes pensadores dos últimos 300 anos, mas nos convida a pensar que nas atuais condições econômicas não teríamos tanto proveito lendo Marx.
Carden nos adverte para não cometer erros ao subestimar os ensinamentos econômicos de Marx, mas ao mesmo tempo nos sugere revisar a história que nos tem dado motivos para colocar em dúvida os ensinamentos de Marx.

Marx previu um crescimento de miséria para a classe trabalhadora, a formação de um exército de desempregados e a alienação intelectual e cultural dos trabalhadores, mas isso não aconteceu, muito pelo contrário, a industrialização beneficiou até mesmo os trabalhadores inexperientes, na forma de aumento dos salários das categorias, em países capitalistas, algumas pessoas pobres tornaram-se ricas e a liberdade intelectual e cultural cresceu muito no capitalismo.
No seu livro: “History of economics analysis” Joseph Schumpeter argumentou que ninguém pode entender e compreender Marx sem ter lido os três volumes do Capital e tudo sobre a teoria de Mais-Valia e ainda ter familiaridade com a tradição e o ambiente no qual escreveu, mas Schumpeter ressalta que Marx se preocupou em atacar a ideologia do capitalismo, mas não se preocupou em discutir a ideologia do seu próprio sistema.

Para Art Carden a crise atual não é uma crise do capitalismo, é a crise dos líderes políticos que foram arrogantes ao pensar que eles poderiam desenhar mecanismos de regulação que eles quisessem apenas para favorecer aqueles que estão em melhor posição.

Algo parecido concluiu o presidente Lula: “A crise foi provocada por homens brancos de olhos azuis”.

Para Carden, tanto Marx como Ludwig Von Mises e Friedrich Hayek oferecem sistemas sociais completos, teorias monetárias consistentes e a explanação convincente das crises econômicas. A diferença é que estes dois últimos enfocaram a economia de forma diferente, talvez abordassem a economia pelo ângulo certo.

Sábado, 16 de Maio de 2009

A volta do espírito de Karl Marx

A crise financeira mundial despertou o interesse pelas teorias de Karl Marx, por ter previsto, na sua época, alguns fatores que levariam à crise atual.

No manifesto comunista, uma das suas obras, Karl Marx preconizou que “A burguesia não pode existir sem constantemente revolucionar os instrumentos de produção e conseqüentemente as relações de produção que por sua vez afetam as relações com a sociedade”. Esse comportamento molda um mundo à imagem e semelhança de como eles (a burguesia) desejam.

A constante revolução dos instrumentos de produção criou a necessidade de expandir os mercados por todo o globo, seria o que conhecemos como capitalismo globalizado, (globalização) que pela sua própria natureza é gerador de crises.

As relações de produção levaram ao desenvolvimento das finanças, à sofisticação das finanças: Seguros, Derivativos etc. Essas inovações eram necessárias para que a acumulação de capital tivesse um retorno significativo.

As relações com a sociedade se viram afetadas pelo aumento da demanda por bens e serviços que tem sido facilitado pelo uso dos cartões de crédito e por toda forma de acesso fácil ao crédito inclusive ao crédito hipotecário, sem falar nos cortes sociais do estado que deixam as pessoas mais vulneráveis aos choques do mercado.

O resultado tem sido o aparecimento de uma série de inevitáveis bolhas financeiras que tendem a estourar provocando crises cada vez maiores. Se Marx fosse vivo certamente iria sugerir a organização do proletariado em classes que teria como primeiro passo ganhar a batalha da democracia e dessa forma estariam aptos a enfrentar o capitalismo.

A batalha da democracia eu diria que está praticamente ganha, mesmo sem o proletariado estar totalmente organizado em classes. O que resta é ter coragem e ousadia para quebrar a lógica do capitalismo de mercado, isso somente aconteceria caso houvesse propostas radicais, como por exemplo, a proposta do economista WILLEN BUITER. Ele propõe que o setor financeiro mundial seja convertido em uma instituição pública porque os bancos não podem existir sem os depósitos do público.

Não há motivo, acrescenta Willen Buiter, para os bancos continuarem existindo como instituições privadas, os bancos devem ser de propriedade pública e reconhecidos como serviço público. Dito de outra forma: é absolutamente necessária a socialização das finanças e a centralização do crédito em bancos do estado.

Você não precisa ser um marxista para ter idéias radicais.